Sagrada Família


 

          Sagrada no dia 24 de Outubro de 1730 (terceiro dia do oitavário da sagração) pelo Bispo de Portalegre, Dom Álvaro Pires de Castro. Contém relíquias de Santo Estêvão, São Cosme e São Damião. O sermão foi pregado por Frei Manuel de São Nicolau, da Província dos Algarves.

          A balaustrada com porta em pau Brasil substituiu uma cancela de Garnier. Da abóbada pende um candelabro com três lâmpadas, suspenso por uma corda metálica.

          No altar desta capela chegou a venerar-se uma imagem de Nossa Senhora das Dores, em madeira.

          O baixo relevo em metal cinzelado [515 x 170 mm], pertencente à banqueta do altar, representa a Sagrada Família, sendo atribuído a João José de Aguiar.

 

          Virgem com o Menino, São José e São Joaquim, Santa Ana e Santa Isabel, São Zacarias e São João Baptista, São João Evangelista e São Tiago, três Marias e dois anjos com naveta e turíbulo

          Retábulo de Giusti (1767?) com a colaboração de Lourenço Lopes; 5,5 x 2,85 m. A suposição de Pier Paolo Quieto [p. 96], segundo a qual a Sagrada Família [PNMafra: inv. n. 2677], tela [6,54 x 2,88 m] de Agostino Masucci (subsc.: Agostinus Masucci Faciebat in anno MDCCXXI), teria sido a primeira pintura a chegar a Mafra (1721), talvez no próprio ano da sua realização (o que pressuporia a existência de um projecto preciso para o interior da Basílica, que, à data, indicar medidas exactas para as pinturas destinadas aos altares) fica prejudicada pela descoberta recente de um X terminal na data (MDCCXXIX, em vez de MDCCXXI), remetendo a realização da obra para o ano de 1729. Aliás, Abreu só com a carta de 7 de Janeiro de 1730 remeteu para Roma as dimensões desta tela, a qual havia de chegar de Génova no navio inglês Tholley nos finais de Dezembro desse ano. Entretanto, Masucci talvez tenha remetido para aprovação régia, o esboço denotando algumas variantes relativamente à tela definitiva, que se acha na sacristia de Santa Cruz de Coimbra. Quando a tela do italiano chegou já se encontrava em Mafra "um singular quadro" [6,92 x 3,17 m] do mesmo tema, pintado para esta capela por Vieira Lusitano [subsc.: Fr.cvs. V.ra Lvsitanvs academicvs Rom.us inv.or faciebat 1730], todavia preterido pelo de Masucci, quase tendo apodrecido, antes de encaminhado para a Capela dos Sete Altares [PNMafra: inv. n. 1920]. Pietro Guarienti e, depois, Cirilo Volkmar Machado (1815, p. 106 e 1823, p. 102) referir-se-ão ao caso, atribuindo-o a intrigas dos émulos (nomeadamente Ludovice!) do pintor português. Vieira Lusitano realizaria uma cópia com ligeiras diferenças, desta sua tela para a Casa Cadaval.

          O retábulo de Masucci destinado à capela da Sagrada Família, muito louvado por D. João V que não se cansava de o admirar, no dizer de Abreu a única das pinturas recebidas para os altares de Mafra que "levou os aplausos" (Cartas de 3 e 10 de Janeiro de 1731), apresenta uns arabescos num friso arquitectónico, à esquerda da composição, que revelam a inscrição latina JV.DGP&ALG.R Vvat, cuja tradução é: "Viva Dom João V, pela Graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve".