Ecos Fúnebres


 

          Eccos funebres das Vozes Saudosas, que chegárão de Portugal á India pela morte do muito Alto, Poderoso, e Fidelissimo Rey, e Senhor D. João V. Communicados ao mesmo Reyno de Portugal pelos religiosos da Companhia de Jesus, da Provincia de Goa.

 

          Lisboa, Francisco da Silva, 1753, p. 37-41

          [BN: L 1308 A]

 

          [...] fale por todos aquela maravilha erigida em Mafra consagrada ao insigne Português Santo António, porque basta esta para El-Rei perpetuar o seu nome na eternidade de seus mármores [...]. Cedam finalmente todas as sete maravilhas do mundo, porque os fins das suas erecções não foram decorosos a seus fundadores e o fim daquele magnífico Convento foi tão glorioso a quem o fundou, quanto nos manifestam hoje os afectuosos Cultos e Religiosos obséquios que nele fazem a Deus os esclarecidos Filhos do grande Patriarca S. Francisco [...] que outra coisa haviam de dar Salomão e D. João V sendo Reis e que outra coisa havia de receber quem põe e tira Reis, sendo Deus, senão Templos igualmente singulares pela matéria, que pelo artifício, para que neles se visse louvada e adorada a Suprema Majestade. Foram sem dúvida uma [Templo de Salomão] e outra obra [Mafra], um e outro Templo, um e outro Santuário empresas magníficas de um e outro Monarca; mas não chegaram a ser Padrões em que ficassem completas as memórias da sua Sabedoria, que é outra qualidade de que se reveste o nosso Sol Lusitano, quando entrou no Signo de Aries. Porque do Signo de Piscis, por onde passou em silêncio, tomou sómente o segredo, que é também efeito de Sábios [...] Mas o segredo para quê? Para dar alma aos negócios e para se conter nos ditos, entendendo que os de um Rei devem ser muito comedidos e muito considerados, e como nele foram sempre muito premeditadas as suas obras, foram também, conforme as de Isaías, muito advertidas e circunspectas as suas palavras [...].