Despensas e Armazéns de Víveres




Despensa

 

Dependência conventual descrita no Real Edifício Mafrense: "[...] no fundo do corredor das inscrições, está um portal para o ladrilho da Ministra do Refeitório. Este portal é o penúltimo do lado do nascente, ao qual se segue o último, que está no canto junto à janela do ladrilho. Por este portal se entra para a casa da Despensa [...] no princípio da qual está um corredor formado na mesma casa por conta do espaço, que ao lado direito dele, é ocupado pela escada designada pelo n. 171. No fim do corredor está um portal, e dele até ao topo tem a casa de comprido 38 palmos, de largo 20 e de alto o mesmo que o ladrilho. Na parede do lado esquerdo tem duas janelas, que deitam para o pátio, e nos vãos delas estão armários. Entre as duas janelas está unida à parede uma mesa de pedra azul, que tem cinco palmos de comprido, e de largo três e meio. Está firmada sobre pilares de pedra branca, e entre estes por baixo da mesa estão armários. No topo da casa tem um portal fronteiro ao da entrada, e por detrás da porta está um grande armário. Junto a ele no meio do topo está um grande, largo, e bem feito caixão, e sobre ele grandes armários, que se elevam até quase ao tecto, e defronte deste no topo onde acaba o corredor, está outro igual caixão com armários perfeitamente semelhantes, os quais, e todos os outros desta casa são de pau bordo. Nos caixões, cujas bocas têm tampas, se arrecada o pão cozido, e nos armários se guardam guardanapos, talheres, e o mais que é preciso para o serviço do Refeitório. Junto ao meio da parede do Sul, sobre um grande, largo, e convexo pilar de pedra está firmado um tanque de uma só pedra, que tem de comprido 40 palmos, e de largo três e meio. Sobre o mesmo tanque se eleva na parede num frontispício para ornato dele com muito lavor de pedra, o qual sendo junto ao tanque da mesma largura, que ele tem de comprido, se vai elevando, e estreitando até acabar em ponta aguda. No meio deste frontispício estão três torneiras de bronze, por duas das quais corre água para o tanque, e na 3.ª que é a que está no lado do Nascente, está encaixado, e soldado um canudo de bronze, o qual descendo logo, e atravessando a casa por baixo das pedras do pavimento, conduz água pelo vão da 2.ª janela onde se eleva por entre a parede, e a vai deitar na 1.ª pia do pátio, isto é, na que fica mais distante dos cancelos da portaria, e mais próxima ao canto do Refeitório. De cada lado do dito tanque, e unidas a ele, está uma mesa de pedra da mesma altura, e largura, e firmada sobre cachorros de pedra da mesma altura, a qual chega até ao canto da casa. Tem uma de comprido 10 palmos, e outra 14. Ao lado direito do corredor da entrada para esta casa está uma escada, que aí começa, e se acha designada na Planta pelo n. 171 a qual tem de largo 4 palmos, e sobe para casas do 2.º andar destinadas para guardar louça, fruta e mais coisas pertencentes ao Refeitório; em uma das quais há um portal, que deita para o ladrilho do dormitório do Poente no 2.º andar. No primeiro, e no fim de cada lanço tem ombreiras, e arcos de pedra na abóbada. No fim do 1.º lanço de treze degraus tem porta no patamar, e ao lado deste uma janela, que recebendo luz da casa que lhe fica fronteira no fim ao 2.º lanço também de 13 degraus, a comunica para o corredor das inscrições. No fim do 2.º lanço acaba a escada com janela defronte, e grades de ferro a um lado; e aí dá entrada para as ditas casas" (Frei João de Santa Ana, fl. 173-174).

 

Armazém do Azeite

Dependência conventual. Frei João de Santa Ana afirma que "[...] a sua principal entrada é pelo portal que está no corredor da portaria do Norte. No meio pois deste corredor [...] na parede do nascente está um grande portal que tem dez palmos de largo e sobre ele uma janela que chega ao tecto do corredor. Por este portal aos lados do qual estão pilastras quase juntas às ombreiras dele, se entra para o grande armazém do azeite, que tem de comprido 94 palmos e de largo 32. Na parede fronteira à do portal da entrada estão três janelas com grades de ferro que deitam para o pátio nº 150. Entre a 1ª e 2ª janela está uma famosa chaminé e outra perfeitamente semelhante se acha entre a 3ª janela e o portal por onde se entra para a casa nº 157. Este portal tem outro que lhe corresponde e dentro dele estão armários. Entre os ditos portais e os cantos do lado do Norte e encostados à parede do mesmo lado estão dez tanques de pedra divididos interiormente entre si, mas vistos por fora parecem só dois grandes tanques de cantaria divididos pelo portal da entrada. Têm os tanques de alto seis palmos, mas com a cantaria em que descansam têm nove. Os quatro que desde o portal da entrada até ao canto de cada um dos lados têm 40 palmos de comprido e os dois que estão nos cantos entre estes eos portais próximos têm cada um de comprido 40 palmos e meio. Na face exterior têm todos torneiras de bronze umas próximas aos fundos e outras mais acima para se tirar deles o azeite. São todos cobertos com grossas tampas de pau do Brasil que têm fechaduras. Cada uma das ditas chaminés que são sacadas fora da parede [...] têm de largo dezanove palmos e meio e de fundo sete e meio e isto o que tem fora da parede. Nos lados têm colunas redondas cercadas de várias pilastras e tanto estas como as colunas têm suas competentes bases e de muito lavor. A verga que passa de uma para outra coluna é do mesmo gosto e todo o corpo de cada uma delas é de pedra ricamente lavrada e guarnecida de grandes e delicadas molduras e muito ornato até ao tecto da casa. Estas duas chaminés elevam-se até aos terraços. Na casa que no 2º andar fica sobre esta estão outras duas chaminés, mas juntas à parede oposta; e na casa que no 3º andar fica sobre ambas, estão outras duas chaminés perfeitamente semelhantes e na mesma posição que as do armazém do azeite neste andar térreo, e de tal modo estão formadas estas quatro chaminés que as deste andar comunicam interiormente com as do 3º andar e só duas chaminés aparecem nos terraços e aí deitam fora o fumo de todas as quatro (Real Edifício Mafrense, fl. 156-156).

 

 

Armazém do Bacalhau

 

Dependência conventual, descrita no Real Edifício Mafrense: "Ao Sul do armazém do azeite está uma casa designada pelo nº 154 para a qual se entra pelo portal que está na casa designada com duas estrelinhas ou dos semicirculos no fim do corredor da portaria designado pelo nº 160. Tem esta casa de comprido 41 palmos e de largo 24. Junto aos cantos do lado direito tem dois portais fingidos. Defronte destes no outro lado tem um portal fingido e uma janela que deita para o pátio nº 150. Esta casa é chamada o armazém do bacalhau, porque antigamente servia para nele se recolher o que se gastava quando a comunidade era grande. Presentemenete serve não só para guardar o bacalhau, mas também legumes, arroz, etc. e nela está também uma grande pia para o azeite e uma grande balança para se pesar o que for preciso pesar-se. Em todos os andares superiores há casas que correspondem a esta e lhe são perfeitamente semelhantes." (Frei João de Santa Ana, fl. 157).

 

 

Casas da Carne

 

Dependência conventual descrita no Real Edifício Mafrense: "No fundo do 2,º corredor da pastelaria está um portal por onde se entra na casa, que corresponde ao armazém do bacalhau, e tem portal também para a casa dos semicírculos. Esta casa, e as duas, que se lhe seguem para o lado do Poente, estão designadas na Planta pelo n. 162. Além dos ditos portais, tem um para a casa seguinte. Tem mais três, com armários dentro de um deles, e os outros fingidos. Tem uma janela, que deita para o pátio próximo; e na parede oposta tem encostado a ela um grande poial, sobre o qual estão assentados seis alguidares cobertos de rede de arame, mas muito estreita, para livrar dos insectos a carne, ou o peixe, que se lhes deitar dentro. Tem também encostados à parede da parte da janela grandes armários de pau bordo, e servem para neles se guardar a pimenta, o cravo, e mais adubos. A casa seguinte n. 162 é onde se guarda, e parte a carne, para cujo fim é cercada de grandes ganchos de ferro nas paredes, tem no meio um cepo, uma grande balança, pesos. Tem também grandes armários de pau bordo encostados à parede. Tem um portal para o dormitório, e defronte dele está outro para o pátio n.º 167 e sobre ele grandes vidraças, por onde a casa recebe luz. Tem mais outro portal para a casa seguinte designada também pelo n. 162. Nesta há uma janela, que deita para o pátio, e defronte dela um grande armário com prateleiras para pratos, tigelas etc. Tem outros dois portais para a casa imediata à cozinha. Esta 3.ª casa é onde se conserva o vinagre, o peixe cozido, ou frito e todas as três têm vulgarmente o nome de Pateiria. Entre a casa e o vão da chaminé, está outra casa com portal para o dormitório, e é uma serventia particular para a cozinha. Defronte deste, tem outro próximo à chaminé, pelo qual se entra na cozinha, e no canto ao lado esquerdo deste, e defronte de um portal da casa precedente, tem outro, por onde se entra para um alçapão com porta de cobre, que deita para o saguão próximo. E como no 4.º andar da guarda era o Noviciado, junto a uma das janelas dele está pregado um ferro, que segurava uma roldana, e cadeia de ferro, com que se guardavam as bilhas de água quente para o Noviciado, quando ela aí era precisa. Defronte do outro portal da casa precedente, há outro portal, o qual dá entrada no vão, em que principia a escada designada pelo n. 163. Este vão tem portal para o dormitório, e pouco mais adiante no mesmo dormitório está outro portal fingido. No mesmo vão há uma janela, que está junta a outra que ilumina o corredor do alçapão" (Frei João de Santa Ana, fl. 164).