CronoTapada


1744

Julho 29 - D. João V, nas Caldas da Rainha onde se encontrava a tratar da parilisia que lhe sobreviera em 1742, publica decreto que manda demarcar os terrenos para a Tapada (Eduardo Freire de Oliveira, Elementos para a História do Município de Lisboa, XIV, p. 299).

Agosto 7 - É lavrada escritura para feitura por Gregório Coelho e Felício Nunes do muro de pedra e cal que vedará a Tapada.

 

1747

O tabelião Martinho Roussado, de Mafra, lavra 33 escrituras relativas às expropriações do terreno ocupado pelo Convento, Cerca e Tapada.

 

1750

Outubro 5  - Pelas 11 horas, D. José e numerosa comitiva fazem uma caçada na Tapada de Mafra, tendo abatido três veados, 15 gamos e três porcos.

Outubro 6 - Nova caçada na Tapada de Mafra, tendo sido abatidos 3 veados e 6 gamos e entregue aos arrábidos grande parte das presas.

Outubro 7 - Aniversário da infanta Dona Maria Ana, por isso deslocam-se ao Palácio para apresentar cumprimentos a Suas Majestades e Altezas, os prelados e padres graves da província, fidalgos, ministros e outras pessoas ilustres. Ocorre uma caçada na Tapada, em que apanham 14 porcos (um deles vivo)e muita caça miúda (Aires de Sá, A Caça, p. 23). Os Reis e os infantes D. Pedro e D. António visitam a quinta do Visconde de Vila Nova de Cerveira.

 

1808 

A Tapada é incluída na segunda das Linhas de Torres, tendo sido nela construídos quatros fortes.

 

1815

João Bernardo da Rocha Loureiro informa em o Portuguez (n. 9, Jan. 1815) que D. João VI “há dado ao governo de Lisboa ordens positivas para derribar as coutadas (que se estendem por espaço de 19 léguas de Almeirim a Mafra) e reduzirem-se a cultura. Esta humana e generosa resolução de Sua Alteza não foi cumprida pelos governadores, seja que estes sumissem a ordem em si sem lhe querer dar execução ou seja que a esta pusessem estorvos, elegando dúvidas e objecções para a corte do Rio de Janeiro” (Memoriais a Dom João VI, Paris, 1973, p. 65, nota 3)

 

1821

Após a ausência de 13 anos no Brasil, D. João  VI regressa a Mafra onde o chamam as boas recordações do passado. Segundo Aires de Sá (Rainha D. Amélia, p. 143), o almoxarife das propriedades reais ao vê-lo comenta "Como Vossa Majestade vem calvo!", ao que o Rei lhe responde "Sim. Sim. Mais calva puseste tu a minha Tapada. Grande maroto". Em Mafra o Rei tem por hábito procurar a companhia dos frades, cantando com eles no coro, porque ali encontra o ambiente musical e artístico tão do seu agrado. A Rainha, conhecida como ambiciosa e violenta, costuma dar azo ao seu passatempo preferido, a caça na Tapada.

 

1832

Ogravador inglês Thomas Kelly edita em Londres a litografia intitulada Distant View of Mafra and the Mountain of Cintra (185 x 220 mm).

 

1834 

J. D. Roussado Gorjão é nomeado administrador da Tapada.

 

1837

Substituição do Major Gorjão por José da Costa Fortinho, na administração da Tapada.

 

1838

Roussado Gorjão, redige uma Memória Histórico-Justificativa(Lisboa, Tip. de A. J. da Rocha)sobre a Tapada.

 

1840

Início da criação de potros de Alter por iniciativa de D. Fernando. Introdução do zebú.

 

1847

D. Maria II institui o serviço de guardas da Real Tapada. A administração da Tapada passa para o Intendente das Reais Cavalariças.

 

1848

Criação do real Colégio Militar em Mafra e início da influência dos militares na administração da Tapada.

 

1850

Agosto 24 - A Família Real chega a Mafra, onde permanece até 3 de Setembro, divertindo-se no exercício da caça. Entre outros animais é abatido um veado, do qual o Rei e o Infante D. Luís mandam uma perna a Francisco António Martins Bastos, mestre dos príncipes (F. A. M. Bastos, Memórias para a história de El-Rei Fidelíssimo o Senhor Dom Pedro V e de seus Augustos Irmãos, p. 59-60).

 

1853

Inicia-se um novo período de abandono da Tapada.

 

1855

Agosto 23 - Vindos de Sintra, a Família Real chega a Mafra para uma estadia de 8 dias, divertindo-se na caça, e oferecendo os coelhos abatidos a diversas pessoas.

 

1856

Numa caçada que tem lugar na Primavera, para a qual D. Pedro V convida os 80 militares do Batalhão de Caçadores 1, é abatido um javali pelo próprio Rei. No final da caçada é servido um lanche de bacalhau cozido com batatas e um quartilho de vinho para cada um (O Concelho de Mafra, 31 Dez. 1960).

 

1859

A Real Coudelaria de Mafra é extinta por decreto real.

Julho 28 - O monarca chega a Mafra, acompanhado de seu pai e irmãos. Inconsolável com a morte de D. Estefânia, ocorrida a 17 deste mês, não permite que toquem os carrilhões, nem que os minuetes repitam os quartos quando os relógios das torres disparem: que unicamente repitam as horas, quartos e meias horas. Nenhum divertimento é admitido. A sua única distracção é a Escola Real ou a Livraria do Palácio, onde se demora muitas horas. Poucas vezes sai do quarto, a não ser para dar, quase sempre só ou acompanhado de um único indivíduo, algum passeio pelo bosque, próximo ao jardim.

 

1860

Reflorestação da Tapada por influência D. Fernando.

 

1866

Setembro 9 a 22 - Nestes dias, nas diversas caçadas que o rei D. Luís faz na Tapada, são abatidos um veado, oito gamos, um porco bravo, uma raposa, uma lebre, 85 coelhos, uma perdiz, uma codorniz e uma rola (Gazeta do Campo, 30 Set. 1866). O mesmo jornal, na sua edição de 2 de Setembro, dá-nos conta do resultado das últimas caçadas de Suas Majestades. No domingo, 2 veados e alguns gamos, na segunda feira mais de 300 coelhos e 2 porcos. A caça miúda é distribuída pelos presos e pessoas mais necessitadas da vila. O mesmo jornal relata-nos o acidente que sofreu, à saída de Mafra, o carro que transportava os cães de caça do Rei. Dois dos melhores cães extraviam-se. Enquanto o Rei caça, D. Maria Pia passeia a cavalo ou de carro "[...] em entretenimento constante com o atractivo de seus augustos filhos e belezas do campo" (Gazeta do Campo, 13 Set. 1866).

Dezembro 28 - O Rei e o Infante caçam 16 galinholas, 1 gamo, 1 perdiz, 4 coelhos e um mocho real (Gazeta do Campo, 30 Dez. 1866).

 

1869-1880

É habitual o Rei D. Fernando passar temporadas em Mafra, com a Rainha e os Príncipes, ainda crianças. O Rei interessa-se pela conservação do monumento, manda traçar pelo jardineiro francês Bonard, o Jardim da Cerca e um outro junto às lagoas da Tapada. Também se empenha no desenvolvimento de uma coudelaria em Mafra.

 

1871

Estabelecimento da carreira de tiro.

 

1872

D. Luís, amante da caça, gostava de organizar caçadas nas diferentes Tapadas, principalmente durante o Inverno, às galinholas, narcejas e caça grossa. Tomás de Melo Breyner (Memórias, p. 89-90) recorda uma caçada, tinha ele 6 anos, em que o Rei se fez acompanhar da Rainha e do cunhado (príncipe Humberto de Sabóia, dias antes chegado a Lisboa, vindo de Madrid, onde visitara o seu irmão Amadeu, Rei de Espanha). O mesmo Tomás de Mello Breyner informa que o Rei Victor Manuel ofereceu a D. Luís dois casais de gamos para a Tapada de Mafra (idem , p. 308), os quais terão desaparecido ao fim de 3 ou 4 anos para reaparecerem os respectivos descendentes passados cerca de 20 anos.

 

1874

Fevereiro - Numa caçada é morto um porco bravo, "caso que há muito se não dava" (O Concelho de Mafra, 15 Fev. 1948).

No período entre 1874 e 1876, decorre a administração de João António da Silva, Director dos Trabalhos Agrícola-Pecuários.

 

1880

Dezembro – Nas várias caçadas que se realizam durante este mês, é gasta a importância de 46.860 réis.

 

1886

A administração da Tapada começa a ser feita pelo Director dos Trabalhos Agrícola-Pecuários. Extinção do javali.

Julho 19 e 20 - Despende-se a quantia de 35.500 réis, nas caçadas que se realizam na Tapada nestes dois dias.

Dezembro - Gastam-se 1.656 litros de cevada e 1.645 quilos de palha de trigo para alimentação das reais cavalariças. Nas várias caçadas que se realizam durante este mês, é despendida a importância de 46.860 réis.

 

1887

Instalação da Escola Prática de Cavalaria e Infantaria e entrega das cavalariças e parte dos edifícios ao Ministério da Guerra.

Agosto 14 - Na caçada deste dia, é gasta a importância de 15.260 réis.

 

1888

É posto em prática um processo destinado a capturar os pombos bravos, que nidificam nos respiradouros das necessárias (retretes) do Monumento de Mafra. Para os obrigar a sair, são introduzidos archotes na base dos respiradouros que lhes servem de abrigo. O fumo obriga-os a sair em bandos e aos caçadores que se encontram nos terraços basta ter boa pontaria.

Novembro 3 - De manhã, há caça aos coelhos, sendo o almoço servido no sítio do Barracão. Da parte da tarde há batida aos veados, onde são mortos dez cabeças.

Novembro 4 - Após a missa, os caçadores partem para a Tapada do norte para uma batida aos veados.

Novembro 5 - O Príncipe D. Carlos faz outra caçada aos coelhos e galinholas, a qual, em consequência da chuva, não é muito produtiva. O Rei apanha uma galinhola e um guarda da Tapada outra. O Príncipe, que se encontra na Tapada do meio, ao avistar três gamos na Tapada do norte, a uma certa distância, dispara três tiros certeiros, abatendo-os a todos consecutivamente. D. Luís e a Princesa D. Amélia visitam o Palácio, biblioteca, Casa da Fazenda, arrecadações, torres, etc. A visita à Escola Prática fica para quando o rei estiver acompanhado pelo Ministro da Guerra. D. Luís, D. Carlos e a princesa D. Amélia chegam a Mafra, onde são aguardados por uma guarda de honra, à porta do Palácio. Nas caçadas dos três últimos dias, é gasta a quantia de 23.760 réis e nas cavalariças 33 720 réis (O Mafrense, 18 Dez.).

Novembro 25 - Realiza-se uma caçada na Tapada Real, onde são abatidos algumas galinholas, perdizes e coelhos. Em dois dias de caça são gastos 26 520 réis para pagamento a 9 caçadores com espingardas, 18 jornais e 73 batedores de mato (Livro de Registo, fl. 60). Pelas 18 horas, D. Carlos parte de Mafra para a estação do caminho de ferro, acompanhado até lá pelas mesmas pessoas que o haviam recebido à chegada.

Dezembro 20, 21 e 22 - Nestes dias realizam-se três caçadas a galinholas, perdizes e gamos, dispendendo-se a quantia de 42 300 réis para pagamento de 9 caçadores com espingarda, 27 jornais e 120 batedores. Durante o mesmo período, gastam-se 14 820 réis na compra de 252 litros de cevada, 168 litros de fava e 300 quilos de palha de trigo para as reais cavalariças (Livro de Registo, fl. 66-66r e v).

 

1889

Exercícios militares, nomeadamente um levantamento de plantas. Principia-se a construção de um troço de caminho de ferro, no terreno paralelo e contínuo à carreira de tiro.

Novembro 24 - D. Carlos chega à estação de Mafra, viajando de combóio expresso, cerca das 8 horas. É esperado pelo comandante e oficiais de cavalaria da Escola Prática e pelo destacamento de Lanceiros 2. Chegam a Mafra às oito e meia, onde a recepção ao rei feita pela Escola de Sargentos de Cavalaria, pelo destacamento de Infantaria, almoxarife do Palácio e Tapada e professores da Escola Real. D. Carlos vem observar as obras que se estão a efectuar na Tapada e dar indicações relacionadas com os aposentos reais, no sentido de os preparar para uma eventual visita mais demorada durante o Verão. Mais tarde, dirige-se à Tapada para uma caçada.

 

1890

De Janeiro a Outubro deste ano, gasta-se a importância de 75.380 réis na alimentação da matilha do rei. A Tapada de Fora é cedida ao Exército.

Maio 6 - D. Carlos chega a Mafra, pouco depois das 9 da manhã, acompanhado por oficiais da sua casa militar, Serpa Pinto, Duval Teles e Serpa Pimentel. À porta do Palácio, aguardam-no todos os oficiais da Escola, o esquadrão de Cavalaria e batalhão de Caçadores 8, com a respectiva banda marcial. Logo após a chegada, o rei dirige-se à Escola Prática que visita minuciosamente e verificando com satisfação o andamento da referida Escola. Em seguida, parte para a carreira de tiro, onde assiste aos exercícios, interrompidos devido à chuva. À tarde, repetem-se os ditos exercícios, sendo de novo interrompidos devido ao mau tempo. D. Carlos deixa a quantia de 90$000 réis para melhoria do rancho das praças. Pouco depois das 16 horas, parte com a sua comitiva para a estação de Mafra.

Maio 21 - Pelas 9 da manhã, chegam D. Carlos, os seus ajudantes de campo, o contra-almirante Folque Possolo e o major Duval Teles (oficial às ordens), o Conde de Tarouca e os generais Pinheiro Furtado (inspector-geral de Infantaria) e Xavier Machado (comandante da brigada de instrução), o major de Infantaria Galhardo e o capitão Viegas. Partem, de imediato, para a carreira de tiro, onde assistem a duas sessões, uma de manhã e outra à tarde, sendo esta última destinada a oficiais, onde experimentam várias armas, algumas delas trazidas por D. Carlos. El-Rei manda gratificar as praças que mais se distinguiram e ordena que os ranchos sejam melhorados, ficando essa despesa a suas expensas. O almoço tem lugar à uma da tarde, para o qual são convidados o comandante e sub-comandante da Escola Prática, e o comandante do 2º batalhão de Caçadores 6. Depois da última sessão de tiro ao alvo, D. Carlos regressa a Lisboa.

Maio 28 - D. Carlos chega a Mafra pelas 8 e meia da manhã, acompanhado do Conde de S. Mamede, coronel Novais Sequeira e oficial às ordens Fernando de Serpa. Aguardam-no, à porta norte do Palácio, todos os oficiais superiores da Escola Prática e uma força de caçadores. D. Carlos e o seu séquito dão um passeio pela Tapada até à hora do almoço, disfrutando das lindas paisagens que a época oferece. Depois do almoço, D. Carlos volta à Tapada, onde assiste a uma sessão de tiro, e volta no dia seguinte para o mesmo efeito. Ainda no mesmo dia, assiste a uma sessão de tiro ao alvo na pequena carreira de tiro na Alameda da Escola Prática de Infantaria. Às 18 horas, parte para a estação de Mafra.

Junho 11 - Pelas 3 da tarde, D. Carlos chega a Mafra, acompanhado de três oficiais da sua casa militar. Após curta permanência no Palácio, dirige-se para a carreira de tiro, onde assiste a uma sessão de tiro ao alvo. Às 8 da noite janta na companhia do comandante da Escola Prática de Infantaria e do 2º batalhão de Infantaria 15, regressando depois a Lisboa.

Junho 18 - D. Carlos e D. Amélia chegam a Mafra pelas 11 da manhã, acompanhados por D. Isabel de Vasconcelos e o esposo D. António de Vasconcelos, Condes de Ficalho, Roberto Ivens e Duval Teles. São aguardados pelo comandante da Escola Prática de Infantaria, Coronel Galhardo, e outros oficiais, guarda de honra e banda de Infantaria 12. El-Rei e a sua comitiva assistem de tarde a uma sessão de tiro ao alvo, na carreira de tiro, onde voltam a ir na manhã e tarde do dia seguinte. Regressam a Lisboa nesse mesmo dia pelas 9 da noite.

Julho 11 - D. Carlos chega a esta vila, pelas oito e meia da manhã, acompanhado por Duval Teles e Fernando Serpa, e pelo coronel Novais Sequeira. São aguardados pelo general Pinheiro Furtado, inspector da arma de Infantaria, oficiais do Quadro Permanente da Escola e muitos outros oficiais de diferentes corpos e graduações, administrador do concelho, pároco da freguesia, almoxarife das reais propriedades, professores da Real Escola, etc. A guarda de honra é formada por uma força de Caçadores 5 com a respectiva banda. O Rei parte, pouco depois, para a carreira de tiro, onde são executados os exercícios marcados para essa altura.

Julho 29 - D. Carlos chega a Mafra pelas 9 e meia da manhã, acompanhado do ajudante de campo, Duval Teles, e do oficial às ordens, Roberto Ivens, aguardados por numerosos oficiais da Escola Prática de Infantaria e do Regimento de Infantaria 2, fazendo a guarda de honra. O infante D. Afonso, acompanhado de alguns oficiais da bateria de Artilharia 1, vai à  estação de Mafra esperar seu irmão. Assim que chegam a Mafra, D. Carlos e a sua comitiva dirigem-se à Real Tapada para assistir a uma sessão de tiro, regressando à 1 hora ao Palácio para almoçar. Pelas 3 da tarde, volta à Tapada onde abate sete cabeças de caça grossa. O Rei e o seu oficial às ordens partem às 9 da noite para a estação de Mafra, onde um combóio especial os conduzirá a Alcântara (O Mafrense, 3 Agosto).

Agosto 12 - Pelas nove e meia da manhã, o Rei chega a Mafra, acompanhado pelos oficiais da sua casa militar, o Conde de Tarouca e o major Serpa Pinto. Aguardam-no os oficiais da Escola Prática e do Regimento 1 de Infantaria da Rainha, guarda de honra deste corpo, e respectiva banda musical. D. Carlos parte de imediato para a Real Tapada, onde assiste a uma sessão de tiro. Gratifica os que mais se distinguem e deixa uma quantia para melhorar o rancho das praças. De tarde, El-Rei vai caçar para a Tapada do norte, onde abate 2 gamos, mandando-os para o Paço de Sintra onde se encontra a Rainha. No dia seguinte, pelas 9 da manhã, D. Carlos parte com a comitiva para a estação de Mafra, seguindo para Lisboa de combóio expresso (O Mafrense, 17 Agosto).

De Janeiro a Outubro deste ano, foi gasta a quantia de 75.380 réis na alimentação da matilha do Rei (Livro de Registo, fl. 64v.).

 

1891

Janeiro 21 - D. Carlos, D. Amélia, D. Afonso, o Conde de Paris, o Duque de Orleães, os Marqueses das Minas e do Faial e outras individualidades realizam na Tapada uma caçada a galinholas, coelhos e gamos. O almoço é servido no sítio do Barracão. Ainda neste dia, a Rainha e o Duque de Orleães, fazem uma caçada aos pombos bravos, nos terraços do Convento. O jantar é servido no Palácio Real sendo acompanhado com música pela banda de Caçadores 5.

Janeiro 22 - Novo dia dedicado à caça, com o almoço servido no Celebredo e o jantar no Palácio, com acompanhamento musical pela banda de Caçadores 5.

Janeiro 23 - Nova caçada no Celebredo, onde são abatidas muitas cabeças de caça grossa e algumas galinholas. A Família Real regressa ao Palácio pelas 3 da tarde, dirigindo-se de seguida à estação de Mafra. Para Lisboa segue, igualmente, uma carroça cheia de gamos, veados, coelhos, galinholas e pombos. Nos três dias em que a Família Real permanece no Palácio Real gasta-se a importância de 46.000 réis (O Mafrense, 25 Jan.).

Abril 30 -  D. Amélia, a Condessa de Paris, Princesa Helena e Condes de Sabugosa, chegam a Mafra, onde visita as principais dependências do Palácio.

Junho 26 e 27 - O Rei assiste à sessão dos trabalhos finais das classes de ginástica e esgrima. Aguardam-no, em uniforme de gala, no claustro norte do Convento, os oficiais do Quadro Eventual e Permanente, o Delegado do Procurador Régio da comarca, Administrador do Concelho, o pároco, professores da Escola Real, Almoxarife das reais propriedades, a Fanfarra Mafrense e uma guarda de honra de Caçadores 6. Além das exibições de ginástica e esgrima, realizam-se também exercícios em bicicletas. Antes de se retirar, o Rei oferece a importância de 10 libras para melhoramento do rancho dos militares.

Julho 17 - A família real chega a Mafra com o propósito de se demorar alguns dias.

Julho 24 - Cerca das 18 horas, chegam Suas Majestades a Mafra, acompanhadas pelas senhoras D. Josefa Sandoval e D. Isabel Ponte, damas da Rainha D. Amélia e dos príncipes D. Luís Filipe e D. Manuel, respectivamente. São esperados à entrada norte do Real Edifício pelo comandante da Escola Prática de Infantaria e mais oficiais, uma força de cavalaria e outra de Infantaria 2, Administrador do Concelho, reverendo pároco vigário da vara Dr. Tomás Joaquim de Almeida, Almoxarife das reais propriedades de Mafra, e professores da Escola Real. A Filarmónica e a Fanfarra desta vila saudam a chegada da Família Real com o hino nacional. Vão ficar 4 ou 5 dias. As visitas reais a Mafra fazem aumentar o movimento na vila, e os estabelecimentos sentem uma melhoria no negócio.

Julho 27 - A Rainha vem à Ericeira, acompanhada pelo príncipe D. Luís Filipe e infante D. Manuel. Passeiam pelas ruas da vila, dirigindo-se depois à Praia do Sul, onde a Rainha se demora algumas horas a desenhar e a pintar aguarelas, tendo como modelo um rapazinho, filho de um pescador, a quem dá avultada esmola. Retiram-se ao pôr do sol.

Julho 28 - D. Carlos regressa a Lisboa, à noite. O Rei e a Rainha  vão permanecer em Mafra cerca de um mês, a fim de irem a banhos à Ericeira.

Agosto 9 - O comandante da Escola Prática de Infantaria, coronel Joaquim Herculano Rodrigues Galhardo, acompanhado de vários oficiais, vêm ao Palácio de Mafra agradecer ao Rei e à Rainha a oferta dos seus retratos. Após este encontro, os monarcas dirigem-se ao estabelecimento militar, dando especial atenção às salas destinadas aos trabalhos de litografia, fotografia, telegrafia eléctrica e topografia. Assistem também a um exercício de ginástica, demonstrando o seu agrado quanto à ordem e asseio em que tudo se encontra. Como vem sendo hábito, deixam 45 000 réis para melhoria do rancho dos militares.                                                                                     

Agosto 11 - O Rei e a Rainha assistem a uma sessão de tiro na Tapada. D. Amélia oferece ao alferes Beça de Infantaria 24, um binóculo, fazendo idêntica oferta ao primeiro sargento, aspirante a oficial Vilaça, de Infantaria 8, porque obtiveram melhor classificação.

Outubro 8 - D. Carlos chega a Mafra  para assistir a um concurso na carreira de tiro.

Outubro 15 - El-Rei chega a Mafra, pelas 10 e meia da manhã, vindo acompanhado por Duval Teles e Charters de Azevedo. Aguardam-no todos os oficiais da Escola Prática de Infantaria, as autoridades judiciais e administrativas, o pároco Dr. Tomás Joaquim de Almeida, os empregados das reais propriedades de Mafra e os professores da Escola Real, assim como uma guarda de honra sob comando de um tenente e a Fanfarra Mafrense que toca o hino nacional. O almoço é servido às 11 horas, partindo o rei, de seguida, para a carreira de tiro, onde há concurso e distribuição de prémios aos melhores classificados. No dia seguinte, pelas 9 da manhã, o Rei e a respectiva comitiva saem de Mafra em direcção a Cascais. Na despedida estão presentes as individualidades já referidas e mais o Sr. Manuel Moreira Coelho Júnior.

Novembro 21 - Chegam a Mafra, pelas 9 da manhã, D. Carlos, D. Amélia, D. Afonso, os Condes de Paris e o Duque de Orleães. Fazem parte da comitiva real o Conde e a Condessa de Sabugosa (dama e veador da rainha), o Conde de Vila Nova de Cerveira (camarista do rei), general Vítor Moreira (ajudante de campo), capitão-tenente Roberto Ivens (oficial às ordens), Benjamim Pinto (oficial às ordens do infante D. Afonso), Doutor Feijão (médico da Real Câmara) e Mr. d'Aubry Vitet (secretário do conde de Paris). Na qualidade de convidados acompanham-nos os Marqueses das Minas e do Faial, Conde de Ficalho, Brito Capelo, Serpa Pinto, D. Fernando de Serpa e Bernardo Pindela. Os monarcas são aguardadas à porta do Real Palácio por uma guarda de honra de Caçadores 5, com a respectiva banda e todos os oficiais da Escola Prática de Infantaria. Os visitantes reais e todo o seu séquito, logo após a chegada, dirigem-se à Tapada Real, dando início a uma caçada às galinholas, não muito proveitosa devido ao mau tempo. De tarde, D. Carlos, D. Amélia e o Duque de Orleães, fazem uma caçada aos pombos bravos, nos terraços do Real Edifício. No dia seguinte, depois de assistirem à missa das 8 horas, partem para a Tapada do meio e do norte, e apesar do mau tempo que se faz sentir, fazem uma brilhante caçada a galinholas e caça grossa. O infante D. Afonso retirara-se para Lisboa pelas 9 horas da manhã. Na sexta-feira, a seguir ao almoço, o Rei, Rainha e convidados partem para nova caçada, mais produtiva que as anteriores, devido à melhoria do tempo.

Novembro 22 - Depois da missa das 8 horas, nova batida nas Tapadas do meio e do Norte, a qual, apesar do mau tempo, é farta na captura de galinholas e caça grossa.

Novembro 23 - A seguir ao almoço, o Rei, a Rainha e os convidados partem para novas “distrações venatórias”, mais produtivas que as anteriores, devido à melhoria do tempo (O Mafrense, 25 Nov.).

Dezembro 23 - Pelas 9 da manhã, D. Carlos chega a Mafra, acompanhado pelo Conde de Paris, Duque de Orleães, e dois cavalheiros da sua comitiva, Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens, Fernando de Serpa, Serpa Pimentel, Duval Teles, Conde de Tarouca e Bernardo Pindela. Dirigem-se, de imediato, para a Tapada, para o sítio do Muro-Seco, dando início a uma caçada a galinholas e caça grossa. O grupo de caçadores bate, em primeiro lugar, as matas da Tapada do meio, indo a seguir para os pinhais da Chanquinha, os mais frequentados pelas galinholas. Pelas duas da tarde, já tinham apanhado 29 exemplares e algumas perdizes e coelhos. Logo após o almoço, servido no Celebredo, o Rei ordena uma batida à caça grossa na terceira Tapada (a do norte), onde são abatidos dois veados, três gamos, algumas galinholas e perdizes. A caçada rende na sua totalidade 5 peças de caça grossa, 32 galinholas, 10 perdizes, 8 tordos, uma águia de asa redonda, um mocho e 12 coelhos. Apesar de avistarem 7 raposas, não conseguem apanhar nenhuma. Partem do Celebredo pelas 5 horas, dirigindo-se à estação de Mafra.

 

1892

L. Freire pinta a óleo Aspecto da Tapada de Mafra com cabra em primeiro plano [PNMafra].

Janeiro 4 - D. Carlos chega a esta vila pelas 9 horas, acompanhado por Marquês do Alvito, Conde de Ficalho, coronel Queirós, Conde de Tarouca e Bernardo Pindela. A chuva não impede o Rei de caçar 20 galinholas e 3 gamos (O Mafrense, 10 Janeiro).

Janeiro 24 - D. Carlos e D. Amélia chegam a Mafra para uma caçada na Tapada.

Fevereiro 27 – D. Carlos e D. Amélia, acompanhados por D. Isabel Galveias e pelo marquês de Alvito, conde de Ribeira, Serpa Pinto, conde de Tarouca e do Doutor Barros da Fonseca, chegam a Mafra pelas 21h e 30 m, apeando-se junto da porta sul do Palácio, onde eram aguardados pelo comandante da Escola Prática de Infantaria, Manuel Moreira Coelho Júnior, o almoxarife das reais propriedades de Mafra, professores da Escola Real, etc.

Fevereiro 28 - Suas Majestades passam o dia na Tapada do Norte. De manhã, realizam uma caçada a coelhos e galinholas e de tarde a gamos. Almoçam no Celebredo.

Fevereiro 29 - Realizam-se neste dia duas caçadas a coelhos, uma de manhã e outra de tarde, na Tapada do sul. Apesar da chuva miúda que se faz sentir, a caçada rende grande número de coelhos. D. Amélia, acompanhada pela sua dama e veador de serviço, regressa a Belém no combóio ordinário da noite, para esperar a princesa Helena e o Duque de Orleães que chegam a Lisboa no dia seguinte. D. Carlos regressa à capital mais cedo do que contava, devido às notícias que chegam do norte do país, relativas a desastres ali ocorridos devido à tempestade. Chega a Lisboa na terça-feira à tarde, indo por Sintra (O Mafrense, 6 Mar.).

Abril 26 - Os monarcas chegam a Mafra, onde permanecem três dias.

Maio 3 -  Pelas 9 da manhã, chegam a Mafra D. Carlos, D. Amélia, a princesa Helena de Orleães, conde da Ribeira, D. Isabel Galveias, conde de Ficalho, general Folque e Roberto Ivens. São aguardados pelas autoridades locais, a habitual guarda de honra de caçadores, a Fanfarra Mafrense, etc. A fim de ser feita a mudança do mobiliário do Paço de Belém para o das Necessidades, no qual a Família Real vai residir, Suas Magestades vêm passar três dias a Mafra, durante os quais dão passeios pela Tapada, aí procedendo a diversas caçadas. D. Amélia manda colher flores no jardim da Real Tapada e nos campos, indo ela mesmo também colher algumas, entre as quais alguns exemplares de orquídeas. D. Carlos assiste ainda a exercícios na carreira de tiro da Escola Prática de Infantaria. Regressam a Lisboa no dia 5 às 9 da noite, no combóio ordinário. O conde da Ribeira, que não passara bem de saúde, parte mais cedo, em coupé, indo directamente para o seu palácio (O Mafrense, 8 Mai.).

Junho 13 – Pelas 21 horas chega a Mafra el-rei D. Carlos, acompanhado pelo general Barbosa, inspector da arma de infantaria e pelos oficiais Duval Teles, Sebastião Teles, Bocage, conde de Tarouca, Verda (espanhol) e capitão Leitão, ajudante de campo do general. Eram aguardados na arcada sul por uma guarda de honra e por toda a oficialidade permanente e não permanente da Escola Prática de Infantaria e pelos Senhores Doutor Sousa Mendes, delegado da comarca, Doutor Arouca, adsministrador do concelho, Doutor Tomás Joaquim de Almeida, pároco e vigário da vara; Manuel Ferreira Coelho, professores da Escola Real, almoxarife e empregados do Real Palácio.

Junho 14 - Pelas 10 da manhã, D. Carlos e respectivo séquito dirigem-se à Escola Prática de Infantaria, onde assistem aos exercícios finais de ginástica aplicada aos casos de guerra, executados por segundos sargentos e cabos. De tarde, são realizadas na carreira de tiro da Tapada, as provas finais do concurso de tiro, onde se comprova o brilhantismo e aptidão dos concorrentes, ficando o Rei agradavelmente impressionado.

Junho 16 - O Rei almoça no Celebredo com os oficiais da sua comitiva e de seguida dedica-se à caça, abatendo 4 gamos. Pelas 21 horas regressa a Lisboa (O Mafrense, 19 Jun.).

Setembro 26 - O Rei chega a Mafra cerca das 17 horas, acompanhado pelo marquês do Alvito, Duval Teles e Bernardo Pindela. São aguardados à porta sul do Palácio pelas entidades habituais. Na mesma tarde, fazem uma caçada aos pombos.

Setembro 27 - Das 7 às 9 da manhã, na carreira de tiro, têm lugar as provas finais do concurso de tiro. D. Carlos e respectiva comitiva partem, pelas 10 horas, para o Celebredo, onde almoçam. De seguida, dá-se início a uma caçada, onde são abatidos muitos coelhos e perdizes, 4 gamos e um "soberbo veado" (O Mafrense, 2 Out. 1892).

Dezembro 4 - D. Carlos, Marquês de Alvito e Conde de Ficalho, chegam a Mafra para uma caçada na Tapada.

Dezembro 23 - Na companhia do Conde de Tarouca, o Rei chega a Mafra para uma caçada a galinholas, na Tapada.

30 Dezembro - Cerca das 8 da manhã, o Rei, o Conde de Tarouca e Bernardo Pindela dirigem-se à Real Tapada, dando início a uma caçada às galinholas, que, devido ao mau tempo, apenas rendeu cerca de uma dúzia de galinholas e alguns coelhos. O almoço tem lugar no sítio do Barracão. O regresso a Lisboa ocorre pelas 17 horas (O Mafrense, 1 Jan. 1893).

 

1893

Janeiro 15 - Após a missa das sete e meia, D. Carlos e respectivos convidados partem para a Tapada do Meio, onde fazem uma boa caçada, abatendo 6 gamos, 24 galinholas, igual número de coelhos, 2 mochos e outras aves. Mais de metade das galinholas é abatida pelo Rei. Regressam a Lisboa pelas 17h 30m.

Fevereiro 12 - Na companhia do general Cunha e do Conde de Tarouca, D. Carlos chega a Mafra pelas 8 da manhã, dirigindo-se à Real Tapada, para uma caçada. O almoço é servido no Barracão e o jantar no Palácio.

Fevereiro 13 -A caçada tem lugar na Tapada do meio e do norte e nos pinhais da Chanquinha, sendo abatido grande número de peças. O almoço decorre no Celebredo e o jantar no Palácio de Mafra.

Fevereiro 14 - Nova caçada nos mesmos locais da véspera, a qual, apesar da chuva, é abundante: são abatidos 1 veado, 3 gamos, 50 coelhos, 41 galinholas, 23 perdizes, tordos, melros, gaios e mochos. Às 3 da tarde, D. Carlos dirige-se à estação de Mafra (O Mafrense, 19 Fev.).

Abril 27 – Pelas 13h e 30m chega D. Carlos, acompanhado pelos Senhores Pimentel Pinto, ministro da Guerra, tenente-coronel Alberto de Oliveira, chefe de gabinete do mesmo ministro, alferes Pacheco Simões, adjunto à repartição do referido gabinete, marquês de Alvito, camarista de serviço, D. Bernardo Pindela, secretário do soberano, general Malaquias seu ajudante de campo e major Malaquias, oficial às ordens. O monarca era aguardado à porta do paço Real pelo comandante e demais oficiais da Escola Prática, por uma guarda de honra de Infantaria 11, pelos Senhores almoxarife das Reais propriedades de Mafra, professores da Escola Real e outros empregados. A Fanfarra Mafrense tocou o hino nacional à chegada de el-rei. Na Escola Prática D. Carlos assistiu às provas finais em exercícios de ginástica, realizadas pelos cabos que ali se achavam em instrução, demonstração perturbada  por uma chuvada extemporânea que obrigou à sua interrupção, após o que o monarca e seu séquito realizou uma visita às instalações da Escola Prática. O dia termina com uma caçada aos pombos nos terraços do Real edifício.

Abril 28 - Pelas 10 da manhã realizam-se exercícios na carreira de tiro, na presença do Rei. De tarde, têm lugar os exercícios que no dia anterior não haviam sido concluídos em virtude da chuva, e também exercícios de esgrima. O regresso a Lisboa ocorre ao princípio da noite, de combóio (O Mafrense, 30 Abr.).

Junho 14 - D. Carlos visita a carreira de tiro da Tapada de Mafra.

Agosto 15 - Pelas 11 da manhã, D. Carlos, os ministros da Rússia e da Alemanha e Bernardo Pindela, chegam ao Palácio de Mafra. Após o almoço, visitam uma parte do Real Edifício, partindo de seguida, para a Tapada do meio, onde caçam 10 gamos, muitos coelhos, perdizes e outras aves.

Agosto 16 - Numa caçada são abatidas 4 cabeças de caça grossa, entre as quais uma de um grande veado, além de perdizes, outras aves e coelhos.

Agosto 17 - De manhã, D. Carlos e respectivos convidados visitam as torres, os carrilhões e a igreja, ficando aqueles impressionados com a sua grandeza. Mais tarde, realiza-se uma caçada, onde são abatidas diversas peças de caça miúda e ainda 6 gamos. Pelas 21 horas, partem para o Palácio da Pena (O Mafrense, 20 Ago.).

 

1896

Fevereiro - D. Carlos permanece em Mafra, indo caçar todos os dias à Tapada, matando grande número de gamos, galinholas e coelhos. Parte para Lisboa na 4ª feira anterior a dia 23 (O Jornal Mafrense, 23 Fev.).

 

1897

Janeiro 16 – Visita inesperada de D. Carlos e D. Amélia, os quais chegam ao Palácio de Mafra cerca das 17h e 30m. Recebem-nos toda a oficialidade da Escola Prática, bem como as autoridades civis e algumas figuras gradas da terra.

Janeiro 17 - Pelas 8 horas, depois de assistir à missa dominical, celebrada pelo Padre Machado, D. Carlos parte para a caça, capturando 6 galinholas, 1 narceja, 1 gaio e 28 coelhos. D. Amélia vai ao seu encontro no sítio do Barracão, para almoçar. Regressam ao Paço pelas 6 da tarde. A Fanfarra Mafrense toca durante o jantar, ficando Suas Majestades tão encantadas com a interpretação, que tecem elevados elogios ao director José da Costa, fazendo D. Carlos entrega de um donativo de 40$000 réis.

Janeiro 18 - Nova caçada na Tapada do meio, em que são abatidos 15 galinholas, 2 perdizes, 1 melro, 16 coelhos e 19 peças de caça grossa (gansos e veados). D. Amélia vai ao encontro do Rei no Celebredo, onde é servido o almoço. Os monarcas regressa a Lisboa, às 6 da tarde, partindo directamente da Tapada (Folha de Mafra, 24 Jan. 1897).

Janeiro 24 e 25 - D. Carlos e D. Amélia vão caçar na Tapada de Mafra e abatem, no primeiro dia, 6 galinholas, uma narceja, um gaio e 28 coelhos, e no dia seguinte, 15 galinholas, 2 perdizes, um melro, 14 coelhos e 19 gamos e veados.

Agosto 25 - D. Carlos chega a Mafra, para assistir a exercícios na Escola Prática de Infantaria e para caçar na Tapada.

 

1898

Janeiro 9 - D. Carlos e a sua comitiva partem para uma caçada na Tapada, abatendo 8 gamos, 2 raposas, 1 galo, 100 coelhos, 33 galinholas, 3 narcejas, 6 perdizes e outras aves. O almoço tem lugar no sítio do Barracão e o jantar no Palácio, ao som da Fanfarra Mafrense, que toca também no dia seguinte, sendo gratificada com 20 000 réis. O rei deixa também um contributo para o hospital no valor de 40 000 réis, oferecendo igualmente uma moldura com o seu retrato.

Janeiro 11 - Pelas 17 horas, D. Carlos deixa Mafra, satisfeito com o resultado da caçada.

 

1899

Janeiro 14 - O Rei, Condes de Jimenes, o Dr. Melo Breyner e Conselheiro Tomás Rosa caçam, na Tapada 12 galinholas, 4 perdizes, 5 veados, 105 coelhos e outras 9 aves

Abril 20 - D. Maria Pia e o infante D. Afonso chegam à Tapada, almoçando no Celebredo.

 

1901

Dezembro 27 - Belisário Pimenta publica no artigo O Dr. Tomás Joaquim de Almeida - Pároco da freguesia de Mafra de 1878 a 1902 (Bol. Junta Província de Estremadura, ???, p. 154-155), uma quadra feita a propósito das caçadas reais, em que o prior recorda a D. Carlos o velho hábito de o presentear com algumas peças de caça: "Diz gente de bom conselho / Da mais grave que conheço / Que mesmo velho mereço / Um presente de coelho". O Rei, quando tem conhecimento destes versos, manda-lhe de imediato uma quantidade de coelhos. Em jeito de agradecimento, o Dr. Tomás Joaquim de Almeida faz novas quadras, das quais destacamos a seguinte: "Agora alegre e contente / Beijo grato a mão de El-Rei / Pelo honrado presente / Ao jantar o brindarei".

 

1902

Janeiro 21 - Para uma caçada na Tapada, chega a Mafra o rei D. Carlos, acompanhado pelo Conde de Arnoso, Charters de Azevedo, Velês Caldeira, Malaquias de Lemos, Dr. Tomás de Melo Breyner, Pinto dos Santos e José Lopes Burgos.

Abril 27 - Cerca das 8 da manhã, dirige-se o Rei à Tapada, onde se demora umas dez horas a caçar, matando um gamo, duas raposas. Avista  alguns javalis, que não consegue apanhar.

 

1903

Dezembro 30 - Belisário Pimenta, no referido artigo (p. 155), dá-nos conta de mais uma quadra de Tomás Joaquim de Almeida, a propósito de não ter sido contemplado com a habitual peça de caça. Aposentado, um pouco esquecido e a residir na Ericeira, quer lembrar o Rei do prometido e volta à carga com algumas quadras, das quais destacamos a seguinte: " Nestas festas de Natal / Eu sinto grande prazer, / Com um belo arroz, comer / Gordo coelho real."

 

1904

Fevereiro 13 - O rei e D. Luís Filipe, chegam a Mafra para uma caçada ao javali na Tapada, e aos pombos nos terraços do Palácio.

Junho - Às onze e meia da manhã, D. Amélia chega a Mafra. Depois de visitar demoradamente o Palácio, onde almoça, dirige-se à casa de campo do Celebredo, onde se demora até às 18 horas, partindo seguidamente para Sintra, pela estrada da Ericeira (O Correio de Mafra, 12 Jun. 1904).

Agosto 22 -Têm início as provas finais do curso da Escola Prática de Infantaria. D. Carlos, acompanhado pelo Ministro da Guerra, contra-almirante Capelo e capitão Wadington, assistem à demonstração de ginástica, esgrima e tiro, fazendo entrega de alguns prémios aos que mais se distinguem. Os oficiais oferecem um banquete ao Rei "que constou de 124 talheres" (Assunção, 1958, p. 332-333). O Rei, na altura dos brindes, pronuncia o seguinte: "Agradeço o convite que me fizeram. São sempre dias felizes aqueles que passo entre os meus camaradas e desejo cordialmente as prosperidades da Arma de Infantaria, que cada vez são mais acentuadas. Os trabalhos não podiam ter corrido melhor, como tive ocasião de presenciar. Sinceramente, louvo todos os oficiais da Escola de Infantaria, a quem dirijo os mais calorosos elogios. "De seguida, o Ministro da Guerra refere-se às provas que patrocinara, dando vivas ao soberano e à Família Real.

Agosto 23 - D. Carlos visita a carreira de tiro na Tapada de Mafra.

Setembro 1 - O Príncipe Real D. Luís vem a Mafra caçar (Breyner, v. 3, p. 89).

Novembro 21 - O príncipe D. Luís Filipe, acompanhado pelo camarista D. Vasco Belmonte, faz uma caçada nesta vila, de que resulta uma galinhola e 6 coelhos. Almoçam no sítio do Barracão. A meio da tarde, regressam a Lisboa, de combóio, devido a uma avaria no automóvel.

Dezembro 26 - D. Carlos chega a Mafra, para caçar na Tapada. Dois dias depois assiste a uma manifestação nocturna.

 

1905

Agosto 20 - D. Carlos, procede a uma caçada aos pombos nos terraços do Palácio.

Agosto 22 - El-Rei chega a Mafra, para uma estadia de cinco dias, durante os quais visita a Escola Prática de Infantaria, onde é descerrado o seu retrato, assistindo a exercícios militares. Nas horas vagas procede a caçadas na Tapada.

Setembro 1 - O Príncipe Real D. Luís vem a Mafra caçar (Breyner, v. 3, p. 89).

 

1906

Setembro 1 - O Príncipe Real D. Luís vem a Mafra caçar (Breyner, v. 3, p. 89).

 

1908

A administração da Tapada de Fora fica a cargo do Depósito da Remonta.

 

1909

Agosto 25 - Ao meio dia, vindo de Sintra, chega D. Manuel, acompanhado por Marquês do Faial, coronel António Costa e capitão de fragata Moreira e Sá. De tarde, D. Manuel assiste a exercícios na Tapada, indo seguidamente tocar órgão na Basílica, acompanhado pelo Conde de Mafra, Tomás de Melo Breyner, e seus três filhos. À noite, janta no quartel, assistindo a um concerto dado pelos aspirantes.

 

1910

Fevereiro 6  - D. Manuel vem caçar à Tapada. A batida começa à porta  do Codeçal e segue pela terceira Tapada. São abatidos um veado e vários gamos. A Rainha dá um passeio a cavalo com o Conde das Galveias.

Fevereiro 7 - Pelas 9 da manhã, D. Manuel vai para a Tapada caçar gamos, iniciando-se a batida junto à Bica do Guardião e seguindo depois pela Chanquinha. O almoço é servido no Celebredo, com a presença da Rainha. A caçada prolonga-se pela parte da tarde, voltando a Rainha a cavalo com o Conde das Galveias.

Fevereiro 8  - Inicia-se uma caçada na Chanquinha, prolongando-se até às 17 horas, com intervalo para o almoço no Celebredo, na companhia da Rainha, que ali vai ter de automóvel. Regressa a cavalo com o Conde das Galveias. Ao jantar, todos comparecem mascarados de trapalhões.

Setembro 9 - De manhã, D. Manuel dirige-se à Tapada para uma caçada a perdizes e coelhos. Mais tarde, o Rei faz tiro aos pombos e estorninhos, nos terraços.

Setembro 11 - O dia inicia-se com uma caçada na Tapada. A batida à caça grossa principia na Chanquinha, passando ao Vale da Guarda e Celebredo, onde decorre o almoço. De tarde,  pequena batida na Tojeira. São abatidos dois gamos e um raposo negro. D. Manuel assiste, depois, na Basílica, a uma procissão e ao Te-Deum.

Setembro 12 - Realiza-se uma caçada com começo na Chanquinha. O almoço realiza-se no Celebredo, com a presença da Rainha. Da parte da tarde, faz-se uma batida do Telhadouro até ao Vale da Guarda, de que resulta o abate de muitos gamos. Tomás de Mello Breyner participa nestas derradeiras caçadas de D. Manuel na Tapa de Mafra (Memórias, 5 Nov. 1911).

 

1911

Primeiro parecer favorável sobre a conveniência da entrega da Tapada aos Serviços Florestais. Realizam-se grandes cortes de arvoredo.

Novembro 5 – Anúncio publicado em O Século torna público que a partir de dia 13 “vender-se-ão na secretaria do Depósito de Remonta licenças diárias, excepto domingos e dias feriados, para abater caça miúda (coelhos, perdizes, galinholas, etc.), ao preço de mil réis por espingarda e quinhentos réis por cão. Também podem abater javardos pagando por cada um cinco mil réis”.

 

1920

Extinção das populações de veado e javali. Redução da população de gamos.

A. Rebelo, O concelho de Mafra (Dissertação inaugural apresentada ao conselhoescolar do I. S. A. Lisboa)

 

1922

Por decreto, a Tapada é submetida ao regime florestal de simples policiamento.

 

1923

João Paulo Freire preconiza em Fogos-fátuos (Porto) a transferência da Penitenciária de Lisboa para o Monumento de Mafra, destinando a Tapada a zona de trabalho para a generalidade dos reclusos e o Jardim do Cerco a horta mantida pelos criminosos menos perigosos.

 

1936

Com a administração de D. Fernando Pereira Coutinho enceta-se nova reconstrução da Tapada.

R. C. Santos,A Tapada de Mafra: Alguns subsídios para o seu estudo, Relatório final de Curso de Engenheiro Silvicultor (Dactilografado).

 

1938

Relatório do Comandante do Depósito de Remonta regista a existência de 120 gamos na Tapada, sendo a maior percentagem de fêmeas.

 

1939

Introdução de veados da espécie Cervus elaphus hispanicus Hilzheimer (lote de 7 fêmeas e 4 machos adquiridos pelo Depósito de Remonta à Quinta da Torre Bela, propriedade da Casa de Lafões).

J. M. de Carvalho, Relatório acerca da Tapada de Mafra(Dactilografado).

José d’ Orta Cano Pulido Garcia, A reconstituição da Tapada de Mafra (rel. final do Curso de Eng. Silvicultor)

 

1940

Entrega da administração da Tapada aos Serviços Florestais. Início da administração de Segismundo Saldanha. Crescimento desordenado das populações de cervídeos.

 

1941

Criação do Parque nacional de Caça. Por decreto, a Segunda e Terceira Tapadas são entregues à administração dos Serviços Florestais.

 

1951

José Maria Dias da Silva Saldanha Lopes, A fauna cinegética da Tapada de Mafra: Subsídios para o seu estudo e ordenamento(Relatório final de estágio do curso de engenheiro silvicultor.  Universidade Técnica de Lisboa, Instituto Superior de Agronomia, Lisboa), constituído por três capítulos: 1º sobre as condições de meio da Tapada de Mafra; 2º a algumas das espécies que constituem a sua fauna cinegética; 3º relativo ao ordenamento das mesmas espécies. Em anexo junta a descrição de um pequeno Museu que organizou, na perspectiva da criação, que propõe, do futuro Museu Nacional de Cinegética. Para efeitos de serviço, a Tapada encontra-se dividida em sete cantões, cada um dos quais sob a vigilância de um guarda.

 

1969

Início dos estudos sobre a fauna e a flora da Tapada por técnicos do Serviço de Inspecção da Caça e Pesca, por incentivo do Prof. Baeta das Neves.

 

1971

M. F. do S. Monteiro, Estudo com vista à obtenção de dados para a realização do ordenamento cinegético da Tapada de Mafra (Relatório de estágio do curso de engenheiro silvicultor.  Universidade Técnica de Lisboa, I. S. A. Lisboa)

 

1974

Fim das caçadas presidenciais e abertura da tapada ao público. Intensificação dos estudos dos alunos dos cursos de Biologia e Silvicultura. Realização de estudos botânicos, cortes de mato e fogos controlados.

 

1976

É dado novo impulso ao ordenamento da Tapada.

 

1977

M. T. P. de C. Guimarães, Algumas considerações para o estudo da perdiz-comum F Alectorís nifa (L.) I na Tapada Nacional de Mafra (Relatório de estágio do curso de engenheiro silvicultor.  Universidade Técnica de Lisboa, I. S. A. Lisboa).

 

1979

M. I. Pereira /  S. V., Plano interpretativo da Tapada de Mafra.

 

1981

A Tapada é encerrada ao público, na sequência de uma série de incêndios de origem criminosa.

 

1982

Início dos abates selectivos de gamos.

 

1983

Maria Isabel de L. Esteves / A. M. C. G.,Gestão do espaço agro-florestal no concelho de Mafra: realidade e perspectiva(Relatório de estágio do curso de engenheiro silvicultor. Universidade Técnica de Lisboa, I. S. A. Lisboa)

 

1985

Transformação da Tapada em Zona de Caça Condicionada: caça de espera aos javalis e de troféu aos gamos.

 

1987

A Tapada de Mafra é considerada Biótopo Corine / Landcover.

 

1989

Criação da Zona de Caça Nacional da Tapada Nacional de Mafra.

 

1992

Aprovação em Concelho de Ministros da concessão da Tapada à ENDAC: Empresa Nacional de Desenvolvimento Agrícola e Cinegético, S.A.

 

1994

Criação da Escola Nacional de Falconaria, na Tojeira.