Carta sobre as coisas notáveis - Anónimo


 

Carta sobre as coisas notáveis do edifício de Mafra

 

(1805, Belas, Agosto, 15)

[BN: Reservados, cod. 4711, fl. 171-185]

 

Meu amigo: recolhi-me da minha digressão para esta Vila, havendo folgado de vêr nella muitas coisas de prazer principalmente as obras de Mafra: e por que me tinheis encommendado: que vos desse noticia (1) das coisas mais notaveis, que nellas visse, cumpro com a vossa recommendação, (2) mandando-vos dizer succintamente hua parte do que ali me mereceo mais attenção (3).

Neste Edificio, obra do empenho de hum Rey, o mais poderozo em ouro, que tem tido a Europa, ha huma vastissima e riquissima collecção de peças de toda a especie de Bellas Artes; brilhantes monumentos da Industria Humana, e do gosto e primor dos mais famozos Artifices daquella idade. A Architectura, a Estatuaria, a Esculptura, a Pintura; a Fundição, a Bordadura, e todas as Artes encantadoras, apresentão aqui as suas obras à maravilha, e cada qual disputa com grande esplendor, e luzimento a primazia na perfeição de suas bellas producções. Talvez em toda a Europa se não ache em hum só edificio, em uma só obra huma só collecção tão rica, e variada (4).

Adverti daqui, que quando hum Principe he rico, e tem animo (5) para pagar e premiar (6) as grandes obras da Arte, tem elle logo artifices, tem genios (7) da primeira ordem, que satisfaçam a seus dezejos e projectos. El-Rei D. João V formando o vasto e sublime projecto de reunir em hum só edificio (8) todos os primôres e ostentações das Artes de Gosto, achou dentro e fora do Reyno Mestres sabios que dezempenhassem gentilmente as nobres idêas de todas as peças; que elle tinha projectado: não talhou limites á despeza dos Artifices pelos não talhar (9) à perfeição e esmero das obras.

 

Forma da edificação

(10)

Todo o edifício he fundado sobre cazas subterraneas de abobedas, e arcos, e grandes pegões, que formão toda a sua baze, e massame: he atracado com grossissimas varas de ferro, e assim se levantou todo o edificio com hua tal travação e ligamento (11) que he a obra mais fortificada e mais segura; que pode haver, todavia pelo terramoto de 55 jogarão tanto as torres, que os sinos, que só depois de grandes balanços se podem tocar, tocarão por si mesmos: o povo, que então estava na Igreja, querendo fugir, Ludovici o Architecto da obra (12) que ali se achava, gritou que se não assustassem, que não podia cahir parte algua (13) do edificio sem que elle cahisse todo, o que era impossivel: no que tinha em vista esta natureza da sua edificação, e construcção (14).

 

Pedras

As pedras do edifício são diversos marmores de varias côres, em que a natureza ostentou os seus realces (15). Dir-vos-hei dos principaes, que muito me agradarão (16).

Marmore vermelho

Ali ha (17) marmore de campo vermelho com multiplicadas manchas brancas esmaltadas de amarello, e representão como rosas (18). Tal he o das seis columnas das trez capellas principaes da Igreja (19).

 

Marmore azul

Ha tambem marmore azul que he de trez castas: o 1º. escuro, guarnecido de algumas manchas mais negras, que o cingem por muitas partes; e he ornado com nodoas quasi brancas, por entre as quaes correm linhas muito candidas: e delle são varias sanefas nas duas capellas lateraes, no portico da Igreja, nos nichos, nos forros de toda a parede, e tecto: 2º. Há outro azul mais claro resplandecente com guarnição de cintas escuras, mais e menos largas; e he composto de materia, (20) que imita a forma de sal, mas não deixa de ser solido: este Mármore brilha nas Simalhas dos balaustrados de todas as capellas, nos balaustres das tribunas, e nos forros da abobeda: Também se vê ali hum 3º. Marmore (21) que tem dilatadas misturas de branco que tecem o campo azul à imitação de labyrintho: he magestozo, e o produz a serra de cintra: vê-se este Marmore nos Altares superiores em huns forros, que dividem humas molduras pretas de humas tabellas da mesma côr.

Marmore amarelo

Tambem se acha naquelle edificio Marmore amarello de côr legitima, que he apparatozo, o qual está coroando os portaes pretos da Igreja; e há outro de um amarello mais remisso, revestido de manchas pardas, e de brancos nós, que muito avultão em todos os balaustres das capellas.

 

Marmore preto

He bella huma casta, que allinha de Marmore preto, que excede no escuro ao evano, cingido de subtis linhas brancas, que correm por entre outras amarellas; tem luzimento, como espelho; e representa as imagens; delle são as molduras de todos os paineis das capellas, e varias tabellas, portas, cardenciaes [sic] (a), soccos dos retabulos, e com especialidade os notaveis portaes das duas naves.

Madeiras

Sobre as Madeiras vos direi que não entrou pinho nem outro pao ordinario (22) em todo o edificio; porem Madeiras da primeira ordem, fortes, e permanentes: ao contrario do que fizerão depois os Conegos Regrantes (23) que tiverão a fraqueza de formar de pinho a obra das estantes da Livraria, gastando muitos mil cruzados, em páo, e talha: mas Dom João era Rey e os Vicentes [sic] (b) erão (24) Frades.

Estatuas do Atrio

Passemos do material do edificio aos ornatos, e ostentações das outras (25) Bellas Artes que nelle se admirão. Ha 58 Estatuas (26) de finissimo marmore, erigidas pelo portico, e pelo interior do Templo, que são as seguintes.

No frontispicio do Atrio do lado direito ha a estatua de S. Izabel Rainha de Hungria e de S. Francisco: e do lado esquerdo S. Clara e S. Domingos (27).

No Atrio da Igreja ou galilea da parte direita (28) ha seis grandes Estatuas de marmore incluidas em nichos; a saber:

1ª. de S. Vicente.

2ª. de S. Sebastião.

3ª. de S. Bento.

4ª. de S. Bernardo.

5ª. de S. Bruno.

6ª. de S. João da Matta.

Porta do meyo, que do atrio dá entrada na Igreja, ha hum ovado de jaspe redondo de perfeita esculptura, em que está a Estatua de N. Senhora com o Menino nos braços, e Santo Antonio de joelhos.

No espaço, que ha nos quatro arcos, estão da parte direita (29) quando se entra no atrio quatro estátuas em quatro grandes nichos:

1ª. de S. João de Deos.

2ª. de S. Filippe Neri.

3ª. de S. Caetano (c).

4ª. de S.ta Thereza de Jesus.

Da parte esquerda outras quatro:

1ª. de S. Pedro Nolasco.

2ª. de S. Francisco de Paula.

3ª. de S. Felix de Valois.

4ª. de S. Ignacio de Loyola (d).

No frontispicio na parte superior nos lados estão em nichos duas Estatuas:

1ª. de S. Francisco.

2ª. de S. Domingos.

Na parte inferior do frontispicio entre os arcos das janellas em dois nichos estão as Estatuas:

1ª. de S.ta Clara

2ª. de S.ta Izabel Raynha de Hungria.

 

Estatuas das Capellas

As Estatuas que ha nas capellas da Igreja são quasi (30) iguaes às de fora, e muitas ainda mais bem obradas (31);

Farei aqui (32) a enumeração de todas ellas comecando pelo lado direito:

Capella Iª (e).

S. Paulo (f)

S. Boaventura

S. Elias

S. Thomas de Aquino

Capela IIª (g).

S. Marcos

S. Barnabé

S. Lucas

S. Mathias

Capela IIIª (h).

S. Filippe

S. Tiago Maior (i)

S. Thomé

S. João Evangelista

Hum vão que finge capella tem

S. Izabel Rainha de Portugal

S. Maria Salomé

S. Barbara

S. Rita de Cassia (j)

Passo às (33)

Capellas do lado esquerdo

Capella Iª. do Sto. Crucifixo (l)

S. Agostinho

S. Jeronymo

S. Gregorio

S. Ambrosio (34)

Capella IIª. dos Santos Bispos

S. Bartholomeo

S. Mathias (m)

S. Simão

S. Thadeu

Capella IIIª. dos Terceiros (n)

S. Paulo

S. Pedro

S. Andre

S. Tiago Maior

Vão fingindo Capella

S. Francisco Xavier

S. Francisco de Borja

S. Roque

S. Carlos Borromeo

Seguem-se as duas capellas dos topos (35)

Do lado direito

Capela de N. Senhora. da Conceição (36)

S. Joaquim

S. Anna

S. Joze

S. João Baptista

São todas boas, e melhor a de S. Anna (37).

Do lado esquerdo

Capella da Assumpção do Senhor (o) (38)

S. Miguel

S. Gabriel

S. Rafael

o Anjo Custodio do Reino

Estas quatro estatuas são as melhores de todas as das capellas.

As duas famozissimas capellas, do Sacramento (p) e da Sacra Família, (39) cada hua, com suas formosas columnas não tem estatuas.

Não me esquecerei de notar que por cima da porta da entrada para a Igreja da parte de dentro ha hum grande relevo em pedra, com todos os móveis de hum Pontifical, que fez hum aprendiz de raro genio, obra tão formosa, que por ella passou logo a Mestre, sem ser primeiro official.

Paineis

Passo das Estatuas aos Payneis que há muitos de grande gosto. O melhor de todos para mim he o de S. Francisco, e S. Domingos, que está na Portaria-Mór: he optimo depois destes o de Nossa Senhora com o Menino, e com Santo Antonio para o receber nos braços, que (40) está na Capella-Mór: He bello o painel que se vê (41) na Sala dos Actos Literarios na parede defronte da cadeira, que he da Senhora da Conceição, de 25 palmos de alto, com moldura de pedra preta, fazendo arco por cima, e ornado com pedra amarella, chamada emboiçada, por fingir varias côres. No meio do Paynel está a Santa Virgem em pé com o Menino nos braços, metendo a extremidade da Cruz, que elle (42) sustenta com ambas as mãos, pela boca da serpente, que está debaixo dos pes da Senhõra. Na parte superior está o Eterno Padre em nuvem acompanhado de Anjos; e na inferior dois anjos de grande vulto, (43) de cada lado assistindo à Senhora. He obra Romana e de Conca. Da parte esquerda fica hum quadro da Corôação da Santa Virgem; o Padre Eterno, no alto, e (44) Christo coroando-a, e em baixo Anjos; he melhor que o da Senhora da Conceição.

Na Caza da Portaria entre as janellas, que cahem sobre os dois jardins ha dois Payneis com molduras de pedra azul, a saber: da (45) parte direita da entrada entre as duas janellas hum de Nossa Senhôra com o Menino no collo e S. Antonio de joelhos com os braços abertos para o receber, da (46) parte esquerda entre as outras duas janellas Christo irado contra o mundo, e sua May em forma de o applacar; (47) e S. Francisco, e S. Domingos orando de joelhos.

Nas paredes dos lados ha 4 Payneis com molduras da mesma pedra:

O 1º. da Coroação da Senhora.

O 2º. da Acção do Lava-pes.

O 3º. de Christo Crucificado, a Senhôra, S. João, e a Magdalena.

O 4º. de Nossa Senhôra e dos Mártyres Franciscanos (48).

Grades e serpentinas

Depois das Estatuas, e Payneis he de vêr as Grades altas, e magnificas, que fechão a Capella-Mór, de bronze Lavradas com grandes ornamentos, e douradas: obra feita em Hollanda, que passando por França a quis vêr Luis XIV e chamando os Artifices de Paris lhas mostrou, dizendo-lhe que vissem como se trabalhava com perfeição naquella Arte. As Grades todas das Capellas do Sacramento, e das duas dos lados da Capella-Mór são iguaes na riqueza, e no artificio: tambem o são as duas serpentinas de sette alampadas cada huma na Capella-Mór, e no Altar do Sacramento, que se elevão, e se abaixão com muita facilidade ao leve toque de huma vara que as puxa, ou as levanta (49).

Peças. Mettalica preciosa

He digna de se vêr e registar a Casa da prata, e de peças; e moveis de metal do serviço do Altar: sobretudo são obras de muito gosto as seguintes (50):

Huma banqueta de bronze dourada para o Altar-Mór, ricamente obrada: outra para outro Altar-menor, e da mesma riqueza.

Huma Custodia magnifica, e outra bôa: antigas.

Hum vaso para se depozitar a Hostia no dia de sesta-feira da Paixão, que mandou Benedicto XIV peça famozissima, e de novo gosto.

Dois Thuribulos ricamente trabalhados.

Duas Navetas do mesmo gosto.

Seis castiçaes mui formosos.

Hum grandissimo castiçal de bronze dourado para o Cirio Paschal, e outras peças proprias da Semana Santa.

Huma Custodia, e huns Relicarios, tambem em forma de Custodias, que mandou fazer na Casa da Fundição o Principe Regente (51) que são obra de summa (52) delicadeza, e de primôr.

Paramentos preciosos

Tambem he de ver com maravilha a Casa dos paramentos, e a outra dos Frontaes: huns, e outros são bordados de retroz muito ricos, e custosos, e mais do que se fossem de prata ou ouro: El Rey quando elles vierão de Genova, e de outras partes, aonde os havia mandado encommendar, fez que se pozessem em cardencias distribuidos por ordem desde a Igreja ate o terreiro, para que toda a corte os podesse vêr; e disse então aos Padres que os estimassem, porque erão as peças, que o tinhão feito pobre (pelo muito que lhe custarão).

Casas e officinas

Não deixarei em silencio as officinas do Convento, que são todas iguaes à grandeza do Edificio, e da Igreja, quaes são:

A Casa da Sacristia, que he magnifica (53).

A do Lavatorio immediata, que he bella (54).

A dos Actos publicos Literarios.

A de Capitulo, obrada com muita arte (55).

A da Enfermaria.

A dos Officios funebres.

A de Refeitorio.

A de fora de Lavatorio com quatro grandes peças, nos quatro angulos, que he muito nobre (56).

A da Cozinha, aonde he de ver hum grandissimo (57) Caldeirão do fogo, e como vai a elle a água em direitura, e a maquina, com que facillimamente se tira do fogão para fora (58).

Muitas mais coisas ha que notar com espanto naquelle Edificio (59): mas não cabe por ora em tempo, nem em huma carta referi-las todas: bastará dizer-vos, o que ja no principio desta vos disse, que aqui se achão as mais formozas e ricas peças de Architectura, de Esculptura, de Gravura, de Pintura, de Bordadura, de Fundição, e de outras Bellas Artes. Tão precioza colecção de peças de quanto não serviria, se estivesse na Capital! Seria vista de maior numero de pessoas nacionaes, e estrangeiras, pois que nem todos tem ou tempo, ou commodidade de ir por cinco, ou seis legoas a Mafra para a vêr; e depois nem lá tem facilidade para examinar miudamente estas peças com todo o vagar, e reflexão, e tirar dezenhos, debuxos, e moldes, isto pede muitos dias, e muita despeza, e assistencia.

Na corte todos os dias e a toda a hora podião ser vistas, e examinadas, podião repetir-se os exames, e observações. O genio dos Artifices cada vez se despertaria mais, à competência (60). Os modellos das Bellas Artes hão-de estar, onde ha Artifices, e estes só os pode haver em huma capital, e não em huma Vila do Sertão. Este foi o primeiro erro, que se cometeo no local desta obra. He o que por ora vos posso dizer; porque sobre outras coisas que ali ha de notar, vos darei maes ampla informação, quando fallarmos. Deus vos guarde meu amigo. Villa de Bellas 15 de Agosto de 1805 (61).

Antonio Ribeiro

 

NOTAS

 

(a) Cardenciaes. Refere-se, certamente, a credências, mesas que se encontravam próximo do altar

(b) Vicentes, palavra que no mesmo parágrafo se encontra emendada pelo autor para Cónegos Regrantes (v. nota 22 do aparato crítico), era a designação porque eram conhecidos os religiosos do Mosteiro de São Vicente de Fóra, em Lisboa, um dos mais importantes da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho em Portugal. Ao falar dos religiosos deste Mosteiro, Fortunato de Almeida refere-se-lhes como Cónegos de São Vicente (v. História da Igreja em Portugal, vol. II, p. 138). Este Mosteiro rivalizava em importância com Santa Cruz de Coimbra, cujos religiosos eram conhecidos por crúzios. Esta designação particular estende-se a todos os religiosos desta congregação, devido também à cruz da sua insígnia. A designação de Vicentes tratar-se-á, por certo, de uma generalização do nome específico dos religiosos de São Vicente a todos os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho

(c) A estátua de S. Caetano surge aqui no átrio sul da galilé e não no norte, onde hoje se encontra. O inverso sucede no norte com S. Inácio de Loiola. Trata-se por certo de um lapso do autor

(d) v. nota anterior

(e) Capela das Santas Virgens ou das Virgens

(f) Trata-se de S. Paulo Eremita

(g) Capela dos Confessores

(h) Capela dos Santos Mártires

(i) Trata-se de S. Tiago, o Menor

(j) Apresentada como Santa, à época Beata

(l) Capela do Santo Cristo

(m) Trata-se de S. Mateus e não de S. Matias

(n) Capela do Rosário

(o) Actualmente Capela de S. Pedro de Alcântara

(p) Também chamada da Coroação

 

APARATO CRÍTICO

 

(1) vos desse noticia ] entrel. em letra do aut.; na primeira red. risc.: dezejaveis saber

(2) recommendação ] entrel. em letra do aut.; na primeira red. risc.: empenho

(3) hua parte do que ali me mereceo mais attenção ] entrel. em letra do aut.; na primeira red. risc.: o que ali notei

(4) tão rica, e variada ] e variada: letra do aut.; na primeira red. risc.: tão variada

(5) he rico, e tem animo ] he rico, e tem: letra do aut.; na primeira red. risc.: quer e tem muito somma de dinheiro

(6) e premiar ] entrel. em letra do aut.

(7) tem genios ] na primeira red.: tem logo genios; risc.: logo

(8) da primeira ordem, que satisfação a seus desejos e projectos El-Rei D. João V formando o vasto e sublime projecto de reunir em hum só edificio ] entrel. em letra do aut.: que satisfação pressorosamente a seus dezejos e projectos El-Rei D. João V formando empresa do vasto e sublime projecto de reunir; risc.: pressorosamente, empresa; na primeira red.: da primeira ordem El-Rey formando o vasto e sublime projecto de reunir em hum só edificio

(9) pelos não talhar ] entrel. em letra do aut.; na primeira red. risc.: por não acanhar

(10) Todas as chamadas marginais que dividem tematicamente o texto foram acresc. pelo punho do aut. A bold na transcrição.

(11) e assim se levantou todo o edificio com hua tal travação e ligamento ] entrel. em letra do aut.; na primeira red.: de maneira que he a obra mais fortificada; risc.: maneira; de: parece- nos que seria intenção do aut. riscar o de, daí não o considerarmos na transcrição

(12) da obra ] entrel. em letra do aut.

(13) algua ] acresc. em letra do aut.

(14) no que tinha em vista esta natureza da sua edificação e construcção ] acresc. em letra do aut.

(15) os seus realces ] na primeira red.: os seus primores e realces; risc.: primores e

(16) muito me agradarão ] agradarão: letra do aut.; na primeira red.: muito me encantarão; risc.: encantarão

(17) Ali ha ] entrel. em letra do aut.

(18) multiplicadas manchas brancas esmaltadas de amarello, e representão como rosas ] brancas, como: entrel. em letra do aut.; na primeira red.: multiplicadas e candidas manchas que parecera esmaltadas de côr amarella, e reprezentão effigie de rozas; risc.: que parecera, côr, effigie

(19) da Igreja ] na primeira red.: da Igreja de Mafra; risc.: de Mafra

(20) de materia ] na primeira red.: de materia tão solta; risc.: tão solta

(21) Marmore ] entrel. em letra do aut.

(22) nem outro pao ordinario ] entrel. em letra do aut.

(23) os Conegos Regrantes ] entrel. em letra do aut.; na primeira red. risc.: os Vicentes

(24) erão ] entrel. em letra do aut.

(25) outras ] entrel. em letra do aut.

(26) Ha 58 Estatuas ] na primeira red. risc.: Ha neste edificio, e em sua Igreja

(27) Todo o parágrafo entrel. em letra do aut. ] na primeira red.: No frontispicio do Atrio do lado direito por baixo ha a estatua de S. Izabel Rainha de Portugal Hungria e de S. Francisco: e do lado esquerdo S. Clara e S. Domingos; risc.: por baixo, Portugal

(28) No Atrio da Igreja ou Galilea da parte direita ] ou Galilea da parte direita: entrel. em letra do aut.; na primeira red.: No Atrio da Igreja da parte direita; risc. e novamente acresc.: da par[te]

(29) No espaço, que ha nos quatro arcos, estão da parte direita ] na primeira red.: No espaço, que ha nos quatro arcos no vão que cumpre ó fundamento das duas torres, estão da parte direita; risc.: no vão que cumpre ó fundamento das duas torres

(30) quasi ] entrel. em letra do aut.

(31) mais bem obradas ] segue-se texto risc.: ha algumas porem de menos perfeição. As melhores são as dos quatro Anjos, S. Rafael, S. Miguel, S. Gabriel e o Anjo Custodio do reyno de Portugal, que estão na Capella do lado direito do Cruzeiro. Estão mais leves que todas as outras, que se vem nas mais Capellas, o que quadra bem para a reprezentação dos espiritos, como são os Anjos. A de Santa Anna que fica na outra Capella do lado esquerdo, por onde se entra para a Sacristia, he igual às dos Amjos. São bôas as outras Estatuas de S. Jozé, de S. Joaquim, e de S. João Baptista, que ali estão.

(32) Farei aqui ] entrel., risc. e novamente acresc. em letra do aut.: Farei aqui; De: Farei aqui... até ...formosas columnas não tem estatuas: letra do aut.

(33) Passo às ] em letra do aut.; na primeira red.: passando às; risc.: [passa]ndo, último a emend. para o

(34) S. Agostinho/S. Jerónimo/S. Gregório/S. Ambrósio ] risc.: S. Francisco de Paula/S. Felis de Valois/S. Pedro Nolasco/S. Caetano/S. Bento/S. Bernardo/S. Vicente/Capella II

(35) Seguem-se as duas capellas dos topos ] em letra do aut.; na primeira red. em letra do aut.: Seguem-se no fundo topos as duas capellas dos topos; risc.: no fundo topos; segue-se em letra do aut. e risc.: Do lado direito segue-se a famosa Capella da Sacra familia que não tem estatuas e tem seus famosas columnas

(36) acresc. em letra do aut. e risc.: que fica no topo

(37) segue-se em letra do aut. e risc.: Segue-se do lado esquerdo a outra famosissima Capella do Sacramento com seis columnas

(38) acresc. em letra do aut. e risc.: que fica no topo

(39) As duas famosissimas capellas do Sacramento e da Sacra Familia ] a primeira red. em letra do aut.: As duas Capellas famosissimas da Sacra Familia e do Sacramento; risc.: Capellas da Sacra Familia

(40) que ] entrel. em letra do aut.

(41) He bello o painel que se vê ] entrel. em letra do aut.; na primeira red. risc.: o que está

(42) elle ] entrel. em letra do aut.

(43) dois anjos de grande vulto ] entrel. em letra do aut.: vulto; na primeira red.: dois anjos de forma grande; risc.: forma

(44) no alto, e ] entrel. em letra do aut.; na primeira red. risc.: em cima, logo

(45) da ] em letra do aut.; risc.: D[a], a emendado para d

(46) da ] letra do aut.; risc.: Da

(47) Christo irado contra o mundo, e sua May em forma de o applacar ] em forma de o applacar: entrel. em letra do aut.; na primeira red.: Christo irado contra o mundo, e sua May applacando-lhe o furor; risc.: applacando-lhe o furor

(48) O 4º de Nossa Senhôra e dos Martyres Franciscanos ] d[os]: em letra do aut.; na primeira red.: O 4º de Nossa Senhôra e de todos os Martyres Franciscanos; os: emend. para dos

(49) ou as levanta ] ou: entrel. em letra do aut.; na primeira red.: e as levanta; e: risc. e subst. por ou

(50) as seguintes ] acresc. em letra do aut.

(51) Huma custodia, e huns Relicarios, tambem em forma de Custodias que mandou fazer na Casa da Fundição o Principe Regente ] tambem em forma de Custodias: entrel. em letra do aut.; na primeira red.: Huma custodia, e huns Relicarios, que mandou fazer na Casa da Fundição o Principe Regente em forma de Custodias; em forma de custodias: risc.

(52) summa ] entrel. em letra do aut.

(53) que he magnifica ] acresc. em letra do aut.

(54) que he ] entrel. em letra do aut.

(55) obrada com muita arte ] acresc. em letra do aut.; arte: entrel.

(56) que he muito nobre ] acresc. em letra do aut.

(57) A da Cozinha, aonde he de ver hum grandissimo ] na primeira red.: A da Cozinha, aonde he de ver a maquina com que se tira hum grandissimo; a maquina com que se tira: risc.

(58) e como vai a elle a agua em direitura, e a maquina, com que facillimamente se tira do fogão para fora ] e a maquina, com que facillimamente se tira do fogão para fora: acresc. em letra do aut.; na primeira red.: e como vai a elle a agua em direitura estando sobre o fogo; estando sobre o fogo: risc.

(59) naquelle Edificio ] na[quelle]: entrel. em letra do aut.; na primeira red.: daquelle Edificio; da[quelle]: risc.

(60) despertaria mais, à competência ] na primeira red.: despertaria mais e a competência poderia fazer outras semelhantes, ou talvez ainda mais perfeitas peças; risc.: poderia fazer outras semelhantes, ou talvez ainda mais perfeitas peças; entrel. em letra do aut. e risc.: peças

(61) Todo o período acresc. em letra do aut.