Objecto

As dificuldades injustificadas que se opõem à consulta de documentos arquivados em determinadas repartições, que de públicas só possuem o nome, a incúria de quem tinha o dever de elucidar o público, tornando conhecidos tantos elementos preciosos que vão dormindo aconchegados no pó das estantes, são a causa de tantas incertezas e da grande ignorância que paira sobre os nossos arquivos de ontem.

ERNESTO SOARES

 

Um postulado consagrado pela exegese judaico-cristã sustenta que enquanto o simbolismo participa da natureza central e imutável da Árvore da Vida, o saber discursivo se reporta à dualidade dos contrários, à eterna dialéctica da Árvore do Bem e do Mal. Paradoxalmente, talvez nunca como hoje, face ao omnipresente e mediático império da informação, da propaganda e da semântica, foi tão evidente a confusão reinante ante as diferentes manifestações da cultura simbólica. Tal situação tem dificultado, senão quase impossibilitado, o esclarecimento do papel essencial que os ícones desempenham no acesso à caracterização das ideias e das épocas, como instância privilegiada no estudo das estruturas e conjunturas da cada tempo e lugar. Não surpreende, portanto, que:

1. A orientação seguida pelos investigadores da arte portuguesa - salvo raras e muito honrosas excepções - tenha primado pela escassez de estudos sistemáticos no domínio da leitura iconográfica e, designadamente, iconológica, em contraste com a vasta bibliografia que trata da biografia de autores e da determinação da autoria de obras;

2. A crítica de arte, pelo seu lado, mais interessada no que o símbolo pode exprimir do que naquilo que ele significa, prefira considerar o simbolismo mais uma questão estética (quando não meramente ornamental!) que um problema ontológico;

3. Finalmente, um número crescente de espontâneos e autoproclamados esoteristas contribua ingenuamente para consubstanciar um suposto carácter aleatório e arbitrário da simbólica mediante fórmulas caprichosas de exegese e malabarismos pedantes. Nesta conformidade, uma vez alienado o seu dinamismo específico e perdidas as chaves destinadas à sua assunção consciente, tal como estas foram codificadas e transmitidas tradicionalmente, a profanação dos símbolos parece inexorávelmente apresentar-se como um dos sinais dos tempos... 

 

São objecto e fins do Centro ERNESTO SOARES de Iconografia e Simbólica:

1. Incentivar a pesquisa, inventário e sistematização da iconografia e da cultura simbólica tradicional.

2. Promover ou empreender acções de formação e informação tendentes à:

   a. Complementação da aprendizagem escolar.

   b. Reconversão dos recursos humanos nas matérias do seu objecto.

   c. Constituição de um corpo de agentes de enquadramento conforme as exigências do seu objecto.

   d. Criação de uma maior consciência do valor e importância da cultura simbólica tradicional no quotidiano.

3. Constituir um banco de dados e promover a sua difusão num âmbito nacional e internacional.

4. Propiciar a circulação e divulgação da informação coligida, empreendendo cursos de formação, colóquios, seminários, palestras, mostras, exposições e visitas de estudo no âmbito do seu objecto e nomeadamente sobre:

   a. O dinamismo do imaginário e seus conceitos operatórios.

   b. As fontes da cultura simbólica.

   c. As filosofias do simbolismo e respectivos sistemas hermeneuticos.

   d. O simbolismo do Templo.

   e. Os símbolos e a sua migração.

5. Promover a cooperação, troca de experiências e agenciamento de intermediação com o espaço lusófono e comunitário, relativamente às áreas e disciplinas concernentes ao seu objecto, designadamente com Universidades e outras instituições de ensino de âmbito público ou privado, bem como com quaisquer entidades conduzindo projectos no domínio do seu objecto.

6. Promover o enquadramento e realização de actividades de prestação de serviços nacionais e internacionais, nomeadamente de consultoria, edição e distribuição de publicações especializadas, produção e distribuição de sistemas multimédia e de outros suportes logísticos de apoio e equipamentos exigidos à prossecução dos seus fins.

7. Apoiar a criação de núcleos regionais no espaço lusófono, vocacionados para a investigação, identificação e difusão da cultura simbólica.